Usage: php-cgi [-q] [-h] [-s] [-v] [-i] [-f
Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/sinpsiorg/public_html/wp-content/mu-plugins/help.php:1) in /home/sinpsiorg/public_html/wp-includes/feed-rss2.php on line 8
O post Negros recebem R$ 1 milhão a menos do que brancos durante vida laboral apareceu primeiro em SinPsi.
]]>Há pelo menos três décadas, as políticas afirmativas para a valorização da população negra e o combate ao racismo têm sido pauta constante dos governos. Apesar de um aparente maior “empoderamento preto”, quando se mira a realidade com o olhar nos números percebe-se que ainda há um grande fosse entre negros e brancos no mercado de trabalho, na discriminação do dia a dia e na violência policial.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 57% da população se declara negra ou parda; os trabalhadores negros também são a maioria, correspondendo a 55% das pessoas que estão em algum posto de trabalho. No entanto, essa maioria se inverte quando se olha para os números do mercado de trabalho em termos de ocupação e renda.
Estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicado neste mês de novembro aponta o tamanho dessa desigualdade. Segundo o órgão, 86% dos acordos coletivos em 2024 tiveram aumentos acima da inflação, com ganho médio de 1,49% nos salários. O Índice da Condição do Trabalho (ICT-DIEESE), apresentou também melhora desde 2022 e subiu de 0,57 para 0,63 entre 2023 e 2024. Essas melhores condições do mercado de trabalho, porém, não foram suficientes para reduzir a desigualdade racial de renda no Brasil. Alguns números publicados pelo Dieese chamam a atenção:
– O rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros.
– Os negros com ensino superior ganham 32% a menos que os demais trabalhadores com o mesmo nível de ensino, diferença que pouco se alterou com a Lei de Cotas.
– Os negros recebem, em média, R$ 899 mil a menos que os não negros ao longo da vida laboral. Entre os que possuem ensino superior, o valor chega a R$ 1,1 milhão.
– Um em cada 48 homens negros ocupados está em um cargo de liderança, enquanto entre os não negros, a proporção é de um para cada 18 trabalhadores.
– Nas 10 profissões mais bem pagas, os negros representam 27% dos ocupados, mas são 70% dos trabalhadores nas 10 ocupações com os menores rendimentos.
– Uma em cada seis mulheres negras trabalha como empregada doméstica. O rendimento médio das domésticas sem carteira é R$ 950/mês, valor bem menor do que o salário-mínimo.


Violência aumenta
Se no campo do trabalho a situação ainda é bastante desfavorável à população negra, essa realidade toma ares de genocídio quando se trata de direitos humanos e violência policial.

Estudo divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança no início deste novembro, mostra que 4.025 pessoas foram mortas por policiais no Brasil em 2023. Em 3.169 casos foram disponibilizados os dados de raça e cor: dessas 3.169 mortes, 87,8% eram pessoas negras, ou seja 2.782 vítimas da ação policial.
Segundo matéria da Agência Brasil, dados do boletim Pele Alvo: Mortes Que Revelam Um Padrão obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação em nove estados mostra que a morte de pessoas negras pela polícia é uma realidade nacional: Amazonas (92,6%), Bahia (94,6%), Ceará (88,7%), Maranhão (80%), Pará (91,7%), Pernambuco (95,7%), Piauí (74,1%), Rio de Janeiro (86,9%) e São Paulo (66,3%).
Pesquisa do Instituto Sou da Paz revela que no estado de São Paulo, as mortes de pessoas negras pelas polícias Civil e Militar aumentaram 83% de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Conforme dados obtidos da Secretaria de Segurança Pública do estado, nesse período 441 pessoas foram mortas pelas forças do Estado, (78% a mais do que o mesmo período de 2023). Deste total, 283 eram negras, 138 brancas e 20 não tiveram a cor/raça especificado.
Na data em que se comemora o Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares e Dandara, olhar para a seca realidade dos números e olhar ao redor da sua realidade cotidiana, é um alerta para o muito que ainda temos de avançar para que o Brasil promova a justiça racial e a reparação histórica sobre o massacre promovido contra a população negra do país.
O post Negros recebem R$ 1 milhão a menos do que brancos durante vida laboral apareceu primeiro em SinPsi.
]]>O post Roda de conversa mostra potência da luta antirracista apareceu primeiro em SinPsi.
]]>Participaram da conversa o psicólogo gaúcho Gabriel Alves, formado pela PUC-RS e membro do Fórum Internacional de Direitos Humanos da Rede Unida e Aurélia Rios, vice-presidente do SinPsi-SP, formada pela Universidade Federal de São Paulo, idealizadora do projeto Repaz Mulher. Aurélia foi, também, secretária do Conselho Municipal de Saúde de Santos. A mediação ficou a cargo do diretor do Sindicato, Valter Martins.
Diretor de Direitos Humanos e Políticas Públicas do Sindicato dos Psicólogos do Rio Grande Sul, Gabriel abordou as dificuldades de reconstrução do sindicato, após os ataques promovidos pela reforma trabalhista, de 2017 e como é a situação de psicólogas/os negros em seu estado. “Dizer que o racismo é estrutural não é uma desculpa, é dizer que a sociedade coloca as pessoas em posições de forma prioritária, e tem racismo na psicologia a partir do momento que a gente não discute a questão racial”, afirmou.
Aurélia Rios destacou a importância dos sindicatos na defesa da categoria como um todo e na problematização de questões específicas, como a luta antirracista e seus desdobramentos na saúde mental da população e dos próprios profissionais de saúde e acrescentou que o grande desafio é colocar a categoria na linha de frente da luta antirracista.
Racismo, covid e saúde mental
Em relação aos impactos da pandemia de Covid19 na saúde mental da população, Aurélia e Gabriel concordaram de que há necessidade de se aprofundar estudos e pesquisas sobre esse vasto campo, mas que já ficou demonstrado que a covid afetou em maior proporção a população negra; Gabriel destacou que “mães negras” são a maioria das usuárias do SUS, programa duramente atacado pelo governo Bolsonaro, que investiu pesado na privatização do Sistema.
Não é comemoração, é levante
Aurélia foi enfática ao afirmar que debater essas questões durante o mês da consciência negra não é uma comemoração, é um levante. “Essa data [20nov] deve continuar nos 365 dias do ano, porque nossa luta não se reduz ao dia 20 de novembro e temos um desafio porque o nosso povo não tem acesso aos cuidados da saúde mental com psicoterapia”.
O debate foi transmitido ao vivo pelo canal do facebook do Sindicato; clique no link para acessar a íntegra do evento.
https://www.facebook.com/SinPsiSP/videos/1028642785204045
O post Roda de conversa mostra potência da luta antirracista apareceu primeiro em SinPsi.
]]>O post Roda de conversa discute luta antirracista na Psicologia apareceu primeiro em SinPsi.
]]>O evento faz parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, celebrado no Brasil em 20 de novembro. A roda de conversa será transmitida pelo canal do Facebook do Sindicato. A mediação fica a cargo do também dirigente do SinPsi, Valter Martins
Existe racismo na Psicologia?
Muitos podem considerar um contrassenso haver alguma forma de discriminação ou racismo em uma atividade que busca compreender a dimensão individual e social do ser humano, mas, sim, existe racismo. “Já tive caso de pessoas que vieram ser atendidas por mim e quando virão que eu era negro ficaram visivelmente constrangidas”, afirma Valter Martins.
Outra questão a ser explorada e identificada é se há diferenças no campo do trabalho ente brancos e negros, tanto nas oportunidades de emprego e ascensão quanto salário e condições de trabalho.
Racismo e saúde mental
Um dos grandes males de nossa contemporaneidade, atacada por dois anos de pandemia e quatro de um governo de ódio gerou estresses em muitas pessoas e categorias profissionais. Os cuidados com a saúde mental são hoje um dos principais desafios de psicólogas/os e outros profissionais da saúde. Diversas pesquisas já mostraram que a pandemia de Covid19 incidiu com maior intensidade a população negra, seja pela vulnerabilidade social e econômica, seja por racismo mesmo. Como esse componente afeta a saúde mental das pessoas e qual é papel da Psicologia e seus profissionais é outro ponto sugerido para a reflexão da roda de conversa virtual desta segunda-feira
Acompanhe pelo Facebook do Sindicato a partir das 19h,
O post Roda de conversa discute luta antirracista na Psicologia apareceu primeiro em SinPsi.
]]>O post Reconhecendo e combatendo o racismo estrutural apareceu primeiro em SinPsi.
]]>Nas Américas foram trazidos como escravos/as cerca de 12 milhões de pessoas; dessas, quase metade, cerca de 5 milhões, vieram para o Brasil, sem contar o grande número de escravizados/as que sequer chegavam por não sobreviver às condições de travessia do continente africano para cá nos chamados navios negreiros.
No Brasil, a escravidão durou oficialmente mais de 300 anos (de 1550 a 1888). Foi o último país no mundo a abolir a escravidão, mas o racismo, estrutural e congênito, e práticas análogas à escravidão persistem até os dias atuais.
Política de branqueamento

Em 13 de maio de 1888 foi oficialmente declarada a abolição da escravidão no Brasil, em um processo que resultou na marginalização da população negra. Não se estabeleceu qualquer política de inserção dos negros e negras agora ex-escravos, pelo contrário, o pensamento racista da elite branca brasileira via os negros libertos como “mercadoria sem valor” e motivo de atraso econômico e cultural do país. “Podemos afirmar que o abandono das populações egressas da escravidão, bem como de seus descendentes, foi uma ferramenta do projeto de branqueamento do Brasil, pois através desse abandono, estimava-se que o país iria se livrar dos negros”, expressa o professor Renan Rosa Santos, em artigo publicado em 2019.
Esse modelo justificou, entre outras coisas, o incentivo à imigração de brancos europeus, em especial italianos, que vieram para o Brasil com promessas de encontrar o mundo de oportunidades e enriquecimento. Enquanto isso, aos africanos oriundos das “galés negreiras” era incentivado o mesmo destino conferido aos povos originários: a extinção.
Um dos expoentes das teorias higienistas no Brasil foi o médico e antropólogo Nina Rodrigues (1862-1906), defensor da tese de que negros constituíam uma raça inferior. “Para dar à escravidão esta feição impressionante foi necessário ou conveniente emprestar ao negro a organização psíquica dos povos brancos mais cultos … qualidades, sentimentos, dotes morais ou ideias que ele não tinha e que não podia ter”, escreveu em seu livro Os Africanos no Brasil.
Racismo estrutural

Mais de 120 anos após a dita abolição, todas as estatísticas comprovam a continuidade do projeto de marginalização da população negra por parte das políticas promovidas pela elite branca brasileira.
A Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), de 2017, dá uma pequena dimensão das desigualdades.
Renda média
Negros: R$ 1.570
Pardos: R$ 1.606
Brancos: R$ 2.814
Educação
Taxa de analfabetismo
Pretos e pardos: 9,9%
Brancos: 4,2%
Ensino superior completo
Brancos: 22,9%
Pretos e pardos: 9,3%
Tempo de estudo (pessoas até 15 anos)
Pretos e pardos: 8,7 anos
Brancos: 10,3 anos
Dados do Atlas da Violência, de 2021, aponta, ainda, que a possibilidade de um negro/a ser assassinado no Brasil é 2,6 maior do que um branco. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes negros no Brasil em 2019 foi de 29,2, enquanto a da soma dos amarelos, brancos e indígenas foi de 11,2. De acordo com a pesquisa, os negros representaram 77% das vítimas de assassinato no país em 2019.
Para o dirigente do SinPsi, Valter Martins, “se partirmos do sentido etimológico da palavra ‘consciência’, vemos de imediato tratar-se de um ‘senso íntimo que nos leva a preferir o certo ou o errado’. Hoje fala-se muito em consciências: de classe, política e outras… No momento específico, consciência NEGRA – um senso íntimo… Felizmente, há movimentações sociais importantes, mas ainda devemos ampliar o nosso leque de CONSCIÊNCIAS principalmente política. Através do voto em nossos reais representantes; rumo à democracia racial.
20 de novembro, dia de luta

Os movimentos negros e a consciência individual não celebram o 13 de maio. A data de luta e resistência é 20 de novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares.
Neste 2021, ano em que a pandemia de Covid-19 vitimou mais negros do que brancos, as organizações populares e sindicais vão comemorar a data com mobilizações em todo o país. A cada dez brancos que morrem vítimas da Covid-19 no Brasil, morrem 14 pretos e pardos. Os dados são resultados de uma análise da reportagem da CNN com base nos boletins epidemiológicos
do Ministério da Saúde. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção dessas populações no Brasil é de 10 brancos para 13 pretos ou pardos. No caso das internações pela doença, há um equilíbrio: negros representam 49,1% dos internados por Covid-19, enquanto brancos representam 49%. Mas na análise das mortes, o descompasso aparece, pretos e pardos representam 57% dos mortos pela doença enquanto brancos são 41% dos mortos.
Para denunciar essa situação, a omissão e o genocídio promovido pelo governo Bolsonoro, mais de 80 cidades no Brasil e exterior marcaram atos neste sábado, 20, Dia da Consciência Negra. Em São Paulo, a concentração será na avenida Paulista. No site da CUT é possível acompanhar o mapa das cidades que promovem atos.
“A unificação das lutas, que inclui a pauta dos trabalhadores, como a geração de emprego decente, pelo fim da fome e da miséria e contra a política econômica do governo Bolsonaro foi consenso entre as entidades que integram a Campanha Nacional Fora Bolsonaro e as que organizam, já há alguns anos, os atos de 20 de novembro. Entre elas, a Coalizão Negra por Direitos”, afirma a CUT.
Dirigentes do SinPsi estarão nessas manifestações expressando o sentimento da categoria de apoio às lutas contra o governo Bolsonaro e contra o racismo que desemprega, oprime, marginaliza e mata neste cordial e tolerante país chamado Brasil.
Fontes:
Central Única dos Trabalhadores CUT
Portal G1
O post Reconhecendo e combatendo o racismo estrutural apareceu primeiro em SinPsi.
]]>