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Governo de Tarcísio gasta 18 centavos por ano com proteção às mulheres

Campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres” denuncia o desmonte de políticas de proteção enquanto favorece os empresários e os mais ricos

22jun2026 Por Patrícia Zaidan

A campanha Tarcísio Inimigo das Mulheres, lançada em 19 de junho, traz uma revelação assustadora: o governo de São Paulo dedica a cada uma das 23,2 milhões de paulistas apenas 18 centavos por ano. É a verba que a Secretaria de Política para as Mulheres gasta para proteger uma cidadã contra a violência, o assédio, o estupro e o feminicídio. “O que a gente faz com isso?”, perguntou ao auditório lotado da Apeoesp, na capital paulista, a jornalista e advogada Luka Franca, da Kuíra Feminista, instituto que integra a campanha com outras 50 organizações, entre movimentos feministas, LGBTQIA+, entidades sindicais e estudantis.

A campanha foi lançada na sede da Apeoesp, o sindicato das professoras, uma das categorias mais prejudicadas pelas políticas de Tarcísio. Foto Divulgação campanha

O descaso da gestão Tarcísio de Freitas explica a razão de o Estado responder pelo maior índice de feminicídio do país. Sua administração representa o mais sangrento período, em 10 anos. Só em 2024, foram mortas 266 mulheres, a maior parte em casa, vítima do parceiro ou ex. De janeiro a abril de 2026 ocorreram 107 feminicídios e 2.942 estupros de vulneráveis. Em vez de fortalecer a rede de proteção, Tarcísio cortou pela metade (54,4%) os recursos do orçamento da Secretaria das Mulheres. Dos R$ 38,2 milhões previstos para combater a violência, somente R$ 10 milhões foram gastos.  

O descuido e o desinvestimento têm consequências: para suprir os 645 municípios do Estado funcionam apenas 141 Delegacias de Defesa da Mulher (muitas não atendem 24 horas ou estão longe da periferia), 46 casas abrigo cofinanciadas e 20 unidades da Casa da Mulher Paulista.

Luka Franca cita ainda as barreiras que o governo tem imposto ao aborto legal no serviço público e o crescente número de maternidades denunciadas pela prática de violência obstétrica. “Aqui está explicado por que ele é nosso inimigo.”

         

Há, porém, muito mais a denunciar. A campanha, que pretende tomar as ruas da capital, lastrear-se pelo interior e litoral paulista, quer incidir no processo eleitoral. Para que isso aconteça, as mulheres vão dialogar com a população e apontar mais sete setores em que Tarcísio se notabiliza pelo ataque às mulheres e desmonte de políticas conquistadas.

  •  Educação precarizada

Tarcísio reduziu a verba da educação de 30% para 25%, fechou turmas de EJA e ensino noturno e impôs escolas cívico-militares. Segundo as feministas, esse modelo inspira a machosfera, fragiliza meninos, cooptando-os para o extremismo; além de massacrar meninas, sem um protocolo para evitar o assédio e o ódio de gênero. Soma-se a isto a precarização do trabalho dos educadores – 72% são mulheres. Há queixas de salários baixos, pressão como forma de gestão (professores são punidos por não baterem metas), de adoecimento físico e mental, com afastamento da sala de aula por ansiedade e depressão.

  •  Trabalho duro

Tarcísio é a favor da escala 6×1, o que sobrecarrega mais as mulheres, tirando delas oportunidades de lazer e estudo. Quando retornam do trabalho para casa, ainda precisam enfrentar o cuidado com os filhos e os idosos da família.

Em São Paulo, o salário das mulheres é, em média 21,6% menor que o dos homens na mesma função. As mulheres negras ganham ainda menos, 40%. Tarcísio ignora a desigualdade.

  • Transporte lotado e ajuda aos amigos

As mulheres continuam sendo atacadas sexualmente no transporte lotado e enfrentando linhas insuficientes – o que fazem o retorno para casa demorar muito mais.

Elas denunciam que Tarcísio repassou para as concessionárias de trem e metrô cerca de R$ 2 bilhões e para as públicas entregou R$ 460 milhões, tornando clara a prioridade aos empresários do transporte e não aos usuários.

  •  Política de morte na segurança pública

Nenhuma mulher deve viver com medo de ser a próxima vítima ou ver seus filhos sob a mira da PM paulista, que nos últimos anos se tornou ainda mais letal. Em 2025, a corporação registrou 808 mortes nas alegadas “ações de serviço”, e os índices continuam subindo.

As mulheres não esquecem as chacinas na Baixada Santista com mais de 80 vítimas, a maioria pessoas negras e jovens. Muitas execuções sumárias e torturas foram documentadas pela Ouvidoria da PM, por movimentos sociais e organizações de direitos humanos.

  •  Água e terra

A privatização entregou ao capital privado um bem do povo, que abastece a capital e o interior. Para Tarcísio, água é mercado. Para que haja lucro, a tarifa tem subido acima da inflação, o fornecimento de água piorou – falta nas torneiras das regiões mais pobres – e o esgoto é despejado no Rio Tietê.

O inimigo das mulheres entrega também terras: 720 mil hectares de terras devolutas públicas estão sendo disputadas por fazendeiros e grileiros. O governo tem vendido a eles com desconto de 90% do valor. Enquanto isso, sem-terra e quilombolas seguem lutando por reforma agrária e pela agricultura familiar.

  • Saúde frágil

Segundo o levantamento das feministas, Tarcísio desmonta a saúde e anuncia números falsos. Ele afirma ter criado 8 mil leitos SUS, quando, na verdade, os leitos sob gestão estadual caíram de 31.373 (2022) para 30.933 (2025). A Tabela SUS Paulista, apresentada como solução para filas, na prática prioriza hospitais privados e filantrópicos e retira recursos da atenção básica. É a privatização silenciosa do SUS sob a desculpa da modernidade.

A campanha também pontua: Em jornadas exaustivas e sob a falta de equipamentos, as equipes de médicos e enfermeiros se sentem impotentes diante da demanda de pacientes. Os concursos públicos para reposição de profissionais não foram realizados nos últimos anos.

  • Cuidados e déficit
  • Tarcísio recusou-se a trazer para São Paulo ações importantes, como a Política de Cuidados do Governo Federal, que estabelece a corresponsabilidade pelo trabalho de cuidado entre o Estado, a família, o setor privado e a sociedade civil. Aplicou pouquíssimo do orçamento nas políticas que melhorariam a vida da população feminina, e, mesmo assim, São Paulo terminou 2025 com déficit de R$ 12,2 bilhões. Mas, como argumenta a campana das mulheres, “o governador encontrou dinheiro para pagar concessionárias e distribuir R$ 85,6 bilhões em renúncia fiscal para empresas”. Já às demandas das paulistas ele reservou “apenas descaso e propaganda”.

    Conheça mais sobre a campanha

    Tarcísio Inimigo das Mulheres está no Instagram(@tarcisioinimigodasmulheres) e tem um site (www.tarcisioinimigodasmulheres.com.br) com mais informações sobre a campanha. O Sindicato apoia a iniciativa.