15out2026 Por Norian Segatto
O Senado aprovou nesta histórica quarta-feira, 14 de outubro, o fim da jornada de trabalho 6×1, com um tempo de transição para as empresas se adaptarem.
A redução ocorre 38 anos após a Constituição Federal baixar a jornada semanal de trabalho de 48 para 44h.
Essa é uma das bandeiras históricas do movimento sindical, que ganhou força com a PEC capitaneada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) e pelo governo Lula.
Flávio Bolsonaro, apesar de ter recuado estrategicamente e votado a favor, articula a aprovação da PEC 12/2026, de autoria do deputado Rogério Marinho (PL-AL), um dos coordenadores de sua campanha presidencial, que, se aprovada, na prática reverte a vitória de ontem e piora ainda mais as condições de trabalho, estabelecendo o regime de ganho por horas trabalhadas.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, 37,1 milhões de pessoas em regime CLT fazem jornada superior a 40 horas semanais, o que representa 73,48% do total de trabalhadores com carteira assinada. No agro negócio, esse índice chega a 95% e no ramo da construção civil, 90%.
Na votação desta quarta-feira, 75 senadores votaram a favor do fim da escala 6×1; o único voto contrário foi do ex-vice presidente, o general Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador Sérgio Moro (PL-PR), eleito governador do Paraná, se absteve; Ciro Nogueira (PP-PI), Márcio Bittar (PL-AC) e Rogério Marinho (PL-RN) sequer compareceram.
Logo após a votação, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) soltou uma nota à imprensa criticando a aprovação, afirmando tratar-se de um “retrocesso para o Brasil”. A nota da confederação patronal é a melhor prova de que a medida beneficia o trabalhador e a trabalhadora.

E as 30 horas
Com o fim da escala 6×1, o projeto das 30 horas ganha fôlego e ainda mais argumentos, avalia o vice-presidente do SinPsi, Rogério Giannini. “Apesar da configuração do novo Congresso ser hostil às pautas dos trabalhadores, a aprovação das escala 5×2 dá um novo impulso para a nossa história reivindicação, da redução da jornada dos e das profissionais da Psicologia para 30 horas semanais, pois pauta a jornada como fator determinante para a saúde e bem-estar da trabalhadora(or)”.