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Violência sexual contra psicólogas no atendimento psicológico

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e o Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo (SinPsi-SP) repudiam a aviltante realidade da violência sexual contra psicólogas no exercício profissional. Por isso, nos solidarizamos com todas as profissionais e reafirmamos a nossa defesa intransigente dos Direitos Humanos e de condições dignas para a prática profissional psicológica. 

Atualmente nove entre dez profissionais de Psicologia são mulheres. Essa é uma característica fundamental da profissão. O que significa fazer Psicologia sendo mulher? 

violência de gênero afeta toda a sociedade, inclusive nós, profissionais da Psicologia. É um fenômeno complexo e abrangente que evidencia a função patriarcal de dominação-exploração, em especial, de mulheres. Isso nos leva a compreender a violência de gênero no conjunto das relações sociais: como produção e reprodução das normas que estruturam a sociedade e vivida estrutural, comunitária, política e domesticamente, além das relações interpessoais. A violência de gênero deve ser analisada diante da totalidade social, em sua inteireza, a partir de contradições, desigualdades e iniquidades. Logo, se pensamos na Psicologia como uma profissão majoritariamente feminina, é praticamente impossível refletirmos sobre ela sem levarmos em conta as questões da violência de gênero que acometem as mulheres habitualmente.

Como isto nos afeta no cotidiano profissional?

Recentemente, em roda de conversa realizada pelo Núcleo de Psicoterapias do CRP SP, tomamos conhecimento de situações de violência de gênero – mais especificamente, violência sexual no trabalho – como uma realidade vivenciada pelas psicólogas, especialmente as profissionais clínicas, reservadas a um suposto espaço íntimo e privado, na atual conjuntura, também em contextos de prestação de serviços on-line.

Na ocasião, as psicólogas relataram situações diversas vividas em atendimentos on-line, tanto em sessões marcadas com urgência – nas quais o autor da violência, ao entrar na sessão e apresentar demanda em relação à sexualidade, coagia as profissionais, alegando sigilo profissional e as violentando verbalmente com conteúdo sexual, chegando a exibir partes do corpo e a se masturbar – quanto em atendimentos continuados – nos quais, muitas vezes, a violência se expressa a partir do assédio, nomeada pelo autor como envolvimento afetivo, sem consentimento da profissional, caracterizando uma situação de violência.

Muitos casos foram seguidos de ameaças, perseguições, calúnias, xingamento nas redes sociais e descrédito da profissional. Essas situações, frequentemente nomeadas como assédios, são expressões da violência tanto de gênero quanto no trabalho, devendo ser prevenidas, coibidas e enfrentadas. 

A violência sexual no ambiente de trabalho é a conduta manifestada fisicamente, por palavras, gestos ou outros meios propostos ou impostos às mulheres contra suas  vontades, causando constrangimento e violando a sua liberdade sexual.

A violência sexual viola a dignidade da pessoa humana e os direitos fundamentais da vítima, tais como a liberdade, a intimidade, a vida privada, a honra, a igualdade de tratamento, o valor social do trabalho e o direito ao trabalho digno.

Violência sexual é crime! Denuncie!

O que fazer?

Legitime a sua experiência, a violência sofrida;

Compartilhe com pessoas com quem se sinta segura e protegida, busque rede de apoio;

Organize um dossiê de imagens, áudios e gravações das situações vividas;

Denuncie formalmente, registrando boletim de ocorrência policial na Delegacia das Mulheres;

Do ponto de vista da prestação de serviço, a interrompa imediatamente ao identificar situações de violência sexual!

Comunique ao comitê de enfrentamento da violência sexual na prática profissional  do Sindicato das Psicólogas do Estado de São Paulo e do CRP SP: [email protected] ;

Dúvidas e demandas de orientação, entre em contato com [email protected] 

Você, psicóloga, não está sozinha! Notifique o canal de denúncia de violência sexual no trabalho de psicólogas. Assim, poderemos, juntas, reivindicarmos e construirmos políticas de garantia de Direitos Humanos no contexto do exercício profissional. 

Viver sem violência é um direito de todas as mulheres!