“O colonialismo não é uma máquina de pensar, não é um corpo dotado de razão. É a violência em estado puro, e só se curvará diante de uma violência maior” (Franz Fanon, em “Os condenados da terra”)
6jan2026 Por Norian Segatto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é megalomaníaco, mas não é, como avalia o apressado senso comum, um lunático desvairado. Após ter sido enxotado da Casa Branca pelas urnas, tentado promover um golpe de estado em seu próprio país, sofrer diversos processos por conta de sua atuação na Presidência, foi reeleito com larga vantagem e está em seu segundo mandato com um Congresso amplamente favorável aos republicanos.
Trump assumiu em um momento histórico de declínio do império estadunidense, que perde poder político e influência econômica global, com o avanço da China, Rússia, do Brics e uma reorganização mundial multilateral. Praticamente sem oposição em seu país (política, judiciária ou de movimentos sociais), com uma União Europeia vacilante e covarde e montado no maior arsenal bélico do planeta, Trump tenta desesperadamente evitar a derrocada dos EUA: busca acordos com a Rússia para se apropriar de parte das terras raras da Ucrânia, apoia Israel visando a extensa reserva de gás no mar da Palestina, ameaça o Irã, único país no Oriente Médio capaz de resistir ao sionismo genocida de Israel e, em seu ato mais agressivo até o momento, invade a Venezuela e sequestra o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, buscando ter o domínio sobre a maior reserva de petróleo do planeta. Se obtiver pleno êxito nesse golpe, toda a América Latina estará sob risco de intervenção militar do império do norte.
Essa política, segundo diversos analistas, muda o cenário internacional, de multilateralismo (no qual diversos países e organismos internacionais têm voz mais ativas nos acordos geopolíticos internacionais) para uma nova escalada imperialista, no qual esses organismos perdem sentido e fica valendo a força das armas. Este cenário dá liberdade para os EUA invadirem qualquer país da América Latina, tentar anexar a Groelândia e o Canadá, entre outras medidas que levam o mundo em direção oposta à civilidade. Donald Trump repete, por outros métodos, a sanha expansionista da Alemanha pré segunda guerra mundial, coloca em risco todo o planeta e torna-se o maior terrorista global deste primeiro quarto de século. Parar essa ofensiva é urgente e essencial para a sobrevivência da democracia.
Resistência ou submissão
A pergunta que fica, no entanto, é quem irá por o guiso no gato? Dos governos europeus subalternos nada se pode esperar além de alguns esperneios linguísticos; a ONU é uma organização moribunda, sem poder de pressão, a mídia tradicional é vassala e reprodutora das narrativas que interessam aos EUA, basta ver como repetem acriticamente a versão de que os ataques à Venezuela foram para conter o narcotráfico; silenciam de maneira cúmplice aos assassinatos, à violação sistemática de tratados internacionais e dos direitos humanos, ao genocídio em Gaza, à explosão de barcos em águas internacionais, naturalizando e endossando a barbárie.
A Fifa não irá cancelar a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas nos EUA em protesto à ação criminosa contra a Venezuela (a Rússia está impedida de participar da Copa e da Olimpíada devido à guerra com a Ucrânia, porém nenhuma sanção foi imposta a Israel ou EUA pela federação esportiva); as burguesias dos países latino-americanos, e em particular do Brasil, são capachos do imperialismo, ratazanas prontas para entregar de bom grado o país em troca de migalhas jogadas ao chão. Em terras de Zumbi e Tupã batem continência para a bandeira listrada e sonham com a intervenção estadunidense ou alienígena.
Não há ilusões em relação aos governos da Europa, à elite financeira e agropecuária do Brasil, e seus representantes no parlamento, ou à elite tecnológica mundial, a tarefa de barrar o avanço do terrorista global cabe aos movimentos sociais organizados, aos partidos progressistas, saindo às ruas, pressionando e elegendo governos e congressos comprometidos com a população; para este ano estão previstas cinco eleições presidências na América Latina e Caribe – Brasil, Colômbia, Costa Rica, Haiti e Peru, eleger quem defende a soberania nacional é essencial para os países.
Aos movimentos sociais, sindicais, estudantis, organizações populares, partidos progressistas e todos/as os democratas do Brasil, cabe ocupar as ruas, usar as redes sociais, conversar com as pessoas para esclarecer o que está em jogo nestas eleições e não dar trégua ao inimigo.