9jan2026 Por Norian Segatto
A rede de saúde pública da cidade de São Bernardo do Campo (SBC), no ABC Paulista, é gerida pela Fundação do ABC, uma Organização Social que existe na região desde 1967, criada por meio de um consórcio das prefeituras locais com o intuito, na época, de viabilizar a criação da Universidade de Medicina do ABC.
Ao longo dos anos foi se tornando uma OS clássica, conveniando com prefeituras para a administração de equipamentos públicos de saúde.
Para os trabalhadores e trabalhadoras da área da saúde, essa gestão, com o aval das gestões públicas, tem deixado um significativo rombo no reajuste dos salários dos servidores. Segundo denúncias que chegaram ao sindicato, apesar de reajustes pontuais, há praticamente nove anos a categoria não tem dissídio coletivo formal. Isso afeta, entre outros, cerca de 100 profissionais da psicologia que atuam na cidade (e que, pela legislação, são representados SinPsi-SP).
Proposta de acordo
Alegando tentar resolver esse enorme passivo trabalhista, a prefeitura de SBC realizou reuniões nos dias 2 e 9 de dezembro, com diversos sindicatos, entre eles o SinPsi, e a Fundação ABC, para propor o pagamento da perda financeira dos últimos cinco anos, calculada do seguinte modo: cálculo da perda mês a mês por não aplicação do dissídio, no período de 2021 a 2025, totalizando e pagando em 36 parcelas.
Proposta rejeitada
Diante da proposta da Prefeitura/Fundação do ABC, o SinPsi realizou diversas reuniões com a categoria e convocou formalmente uma assembleia de psicólogas/os, que ocorreu no dia 7 de janeiro.

Por unanimidade, a proposta foi rejeitada. O vice-presidente do Sindicato, Rogério Giannini, explica: “A proposta da Prefeitura é pouco transparente, não especifica o que estaria sendo quitado com essas 36 parcelas, não esclarece sobre os impactos no FGTS, previdência, no reajuste de vale alimentação e outros direitos, diante desse cenário, a categoria resolveu rejeitar a proposta e apresentar como alternativa, que seja feita uma análise mais global de todas as perdas salariais, de benefícios do período e seus reflexos, para que possa ter um acordo mais amplo. Entre as propostas aprovadas na assembleia está a de recorrer ao MPT – Ministério Público do Trabalho, buscando ampliar os espaços de negociação”.
Novas negociações nesta segunda-feira
No dia 12 de janeiro, as entidades sindicais e a Prefeitura/Fundação se reúnem novamente para buscar avançar em um acordo que reponha as perdas que se acumulam por anos. Pelo SinPsi estão acompanhando as negociações, além de Rogério Giannini, a presidente Marcella Milano e a secretária geral, Priscila Takatsu.