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18M: 10 mil ocupam a Paulista em grito de loucura em liberdade

20mai2026 Texto e imagens Norian Segatto

Foram meses de preparação, envolvimento de diversos atores, entidades, militantes de várias áreas, mas que em comum têm a luta antimanicomial e o cuidado em liberdade como bandeira de luta.

Com todo esse envolvimento, um temor surgiu às vésperas do 18 de maio, Dia Nacional de Luta Antimanicomial: a previsão do tempo em São Paulo apontava a possibilidade de chuvas fortes. Isso, em uma segunda-feira, poderia ser um grande empecilho para a ida de pessoas ao ato.

O dia amanheceu nublado, sem chuvas fortes, mas com garoa e frio. Às 10 horas, como programado, os organizadores estacionaram o carro de som na Avenida Paulista; aos poucos, as pessoas foram chegando portando capas de chuva, agasalhos, trazendo cartazes, camisetas para serem estampadas, e uma vívida alegria no rosto. Começava mais um dia de luta, com a celebração do 18 de maio, data histórica, que remonta ao Encontro de Bauru, em 1987, marco do avanço das mobilizações pela reforma psiquiátrica, que se tornaria lei apenas em 2001. Vinte e cinco anos da lei 10.216, 39 anos da Carta de Bauru, documento ainda hoje atual e necessário.

Ao meio-dia uma multidão já se concentrava na calçada em frente ao Masp, que possui um enorme vão livre para abrigar as pessoas, mas que estava fechado por determinação da Prefeitura, criando risco de segurança. Houve uma rápida reunião e a PM, que acompanhava o ato, fechou duas faixas de uma das pistas da avenida.

A cada minuto, mais ativistas chegavam, “São Pedro” até se comoveu e deu um tempo na garoa intermitente, que só voltaria no decorrer da marcha, que teve início por volta das 15 horas, com trajeto de cerca de 2 quilômetros até a Secretaria de Saúde. Nesse momento, as três faixas da avenida foram interditadas para deixar passar o cortejo de quase 10 mil pessoas, que estampavam nos rostos a alegria do encontro e nas faixas as denúncias contra as comunidades terapêuticas.

“Foi um dos atos mais poderosos que já fizemos na Paulista pelo 18 de maio, vamos continuar nessa batalha pelo fim do financiamento público para comunidades terapêuticas, pelo fortalecimento do SUS e do cuidado em liberdade. Sabemos que há enormes interesses econômicos e políticos por trás desses financiamentos e do encarceramento de pessoas, mas essa grande manifestação reforça nosso ânimo para avançarmos ainda mais”, disse a presidenta do SinPsi, Marcella Milano, durante o ato. Ela coordenou um dos carros de som (chamado de pipoqueira), que tinha o microfone aberto para quem quisesse fazer uso da palavra. E muitos fizeram, com denúncias, anunciando a presença de suas unidades (CAPs) ou cantando e se expressando livremente, como deve ser.

Mesmo com a “chuvinha chata”, o frio e algumas buzinadas de motoristas impacientes, o ato transcorreu com muita tranquilidade e potência, em um dia que a loucura ocupou a Paulista e deu seu grito de liberdade.   

     

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