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Congresso da FENAPSI debate a organização da categoria contra a precarização

“A ideia de que todo trabalhador pode ser seu próprio patrão e a ideia do empreendedorismo seduzem as pessoas e encontra eco em nossa categoria”. Foi com essa provocação que o dirigente do SinPsi, Vinícius Saldanha, abriu a última mesa do sábado, 8 de abril, no Congresso Extraordinário da FENAPSI, que reuniu cerca de 120 psicó[email protected] de todo o país, durante o fim de semana, no centro de São Paulo.

Com o propósito de analisar a temática “como organizar a resistência [email protected] psicó[email protected] à precarização?”, Saldanha traçou um panorama do perfil do profissional de Psicologia nos dias atuais e de como ele se posiciona mediante os acontecimentos políticos.

“A Psicologia tem um histórico elitista, mas agora, com essa mudança de rumo pelo qual o País vem passando, algumas coisas estão sendo revistas. Se antes a gente compartilhava um sentimento muito forte de que o Brasil estava evoluindo, de que se tornaria país desenvolvido, agora há uma desconstrução dessa ideia”, explicou, lembrando que, mesmo no campo da esquerda há um sentimento de que lutamos muito e agora perdemos tudo o que foi conquistado.

“Mas a ideia é não perder a esperança, pois quem se beneficia da desesperança é a elite, que não precisa de um país justo para ter seus ganhos. Sem esperança não há resistência”, clamou o dirigente sindical.

O debate confirmou o que o SinPsi sempre afirmou: que a luta precisa estar articulada à classe trabalhadora como um todo e não apenas à defesa dos interesses específicos da categoria. 

“Parece haver uma certa anestesia na categoria, pois mesmo com todo esse desmonte acontecendo, as pessoas continuam preocupadas com PL de 30 horas. Ora, o cenário mudou, e para muito pior. Agora a luta é por aposentadoria. Sobre jornada, estamos brigando agora é para não aumentarem de 40 para 44 horas por dia. São questões básicas”, advertiu Saldanha.

Projeto de país

Psicó[email protected] têm um papel importante na retomada de um projeto que dialogue com os anseios atuais desse país, quando se fala em soberania e garantia direitos. A união é por um Brasil que não só cresça economicamente, mas que se desenvolva combatendo a violência de Estado, a homofobia, lutando pela questão antimanicomial e por Direitos Humanos.

Vânia Machado, do Sindicato dos Psicólogos de Santa Catarina, enumerou os espaços de atuação da categoria, que são associações de psicó[email protected], centros de estudos e formação, grupos de estudos, conselhos regionais e federais, sindicatos, mesas de negociação, SUS, SUAS, sindicatos de ramos de atuação, fóruns de trabalhadores, conselhos de direitos e políticas públicas, conferências e movimentos sociais.

“Aí eu pergunto: como nós estamos atuando nesses lugares? Sabemos que depende de motivação, de interesse, da capacidade de articulação e mobilização e da visão de mundo e sociedade que desejamos e que possuímos”, afirmou a psicóloga, emendando em uma análise sobre o conceito de democracia participativa.

“Não pode ser algo abstrato na vida das pessoas, mas proporcionar aos cidadãos a participação plena nas questões que lhes dizem respeito, além de favorecer sua soberania, autodeterminação e autonomia”, argumentou Vânia.

Também fizeram parte da mesa Marcelo Tourinho, do Sindicato dos Psicólogos da Bahia; Everton Calado, do Sindicato dos Psicólogos de Alagoas; e César Fernandes, do Sindicato dos Psicólogos do Paraná.

Quando a mesa abriu o debate para os presentes, ficou em voga um fenômeno pós-golpe: a categoria está mais atenta ao que o movimento sindical fala. O ódio está minando.

“Nas últimas semanas, o sindicato foi procurado pela categoria, querendo saber como fazer para se juntar a nós em atos de rua. Precisamos defender os espaços democráticos de direito e, mais ainda, precisamos fomentar a mobilização de rua”, disse Vinícius Saldanha.

Vânia compartilhou da mesma experiência em seu sindicato. No momento do golpe, ano passado, foi distribuído um boletim impresso, com matéria sobre a Frente Brasil Popular, movimento que defende a máxima de “nenhum direito a menos”.

“Recebemos muitas reclamações, por termos nos posicionado à esquerda. Duas pessoas se desfiliaram do sindicato e duas diretoras pediram renúncia. Depois já soltamos outras edições, mas isso nunca mais ocorreu”, comentou.

O caminho é esse: abrir diálogo com quem antes não se interessava por política e agora está indignado com a possibilidade de ficar sem aposentadoria. Os acontecimentos da política agora estão impactando na vida das pessoas. Que venha a formação!

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