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Projeto de concessão de Doria ameaça produção de pesquisas do Instituto de Botânica

Órgão público instalado no Parque Estadual Fontes do Ipiranga está, junto com o Jardim Botânico, Zoo Safári e o Zoológico de São Paulo, sendo visado por projeto de lei que trata da concessão dos espaços à iniciativa privada

O Projeto de Lei 183/2019, de autoria do governo de João Doria (PSDB), visa conceder à iniciativa privada a administração do Jardim Botânico, Parque Estadual Fontes do Ipiranga, Zoo Safári e o Zoológico de São Paulo. A medida abrange também o Instituto Botânico, instalado nas dependências do parque estadual, e que é responsável pelo desenvolvimento de pesquisas científicas.

Em tramitação em regime de urgência na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a ação preocupa a comunidade científica por colocar em risco a produção de conhecimentos, como relata a doutora em Botânica e pesquisadora do órgão público, Inês Cordeiro, à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual.

“A gente fez um levantamento no Instituto de Botânica, recentemente, e, daqui até cinco anos em frente, teremos cerca de 20 pesquisadores. Isso é muito pouco. Várias das nossas linhas de pesquisa vão simplesmente acabar, então a coisa vai sendo simplesmente degradada”, avalia acrescentando que uma possível concessão às empresas também coloca em risco a manutenção dos acervos. “Como, de repente, uma instituição de 90 anos vai cair na mão de uma empresa? Não consigo imaginar o futuro do Jardim Botânico”.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) solicitou formalmente, por meio de carta aberta, que o PL fosse retirado de votação, mas o projeto continua na ordem do dia da Alesp. Para a membro fundadora do Movimento dos Cientistas Engajados, Mariana Moura, a pressa demonstra que o governo não compreende a necessidade do setor de pesquisa, além de ser um exemplo do ataque à produção de conhecimento que o país vem enfrentando. “A gente já sofreu cortes antes, mas nunca tínhamos visto um governo, tanto em âmbito nacional, como em São Paulo, e em outros estados, atacar diretamente as instituições responsáveis pela produção de conhecimento do país. Esse é o maior ataque da história”, avalia.

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