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14 ª Plenária da CUT encerra com homenagem a homens e mulheres vítimas da ditadura militar

Delegados/as também aprovaram o Plano de Lutas que vai nortear as ações da Central até o próximo Congresso, em 2015

A 14ª Plenária Nacional da CUT foi encerrada na manhã desta sexta, 1º de agosto, com um ato em memória dos trabalhadores e trabalhadoras mortos e desaparecidos vítimas da ditadura militar e com a aprovação do Plano Nacional de Lutas – que vai nortear as ações da Central daqui até a realização do próximo Congresso, em 2015.

O grande destaque deste último dia foi a emocionante homenagem prestada aos/as companheiros/as vítimas do golpe militar.

Com fé e coragem, dedicaram suas vidas à luta pela liberdade e democracia e são hoje exemplos para nortear o caminho de construção de uma sociedade justa, igualitária, solidária e verdadeiramente democrática.

Ao som da música ‘Andanças’ interpretada pela cantora Beth Carvalho, os delegados e delegadas balançavam uma rosa com a frase do poeta Bertold Brecht – “Os poderosos podem matar uma ou duas rosas, mas nunca conseguirão deter a chegada da primavera” -, ao mesmo tempo em que pessoas adentravam ao Plenário carregando um cartaz com a foto e o nome de cada homenageado.

“Contar a história pelas nossas mãos para que nunca mais aconteça”, resumiu Expedito Solaney, secretário de Políticas Sociais da CUT. 

Rosas em homenagem aos combatentes

Como sempre tem feito, Solaney fez questão de ressaltar a atuação dos militares para desmantelar a organização da classe trabalhadora.

Somente no primeiro dia do golpe, 400 sindicatos do campo e da cidade sofreram intervenções do Estado. Ao longo dos 21 anos de ditadura, diversas diretorias foram cassadas, líderes sindicais perseguidos, torturados, mortos e muitos ainda seguem desaparecidos.

Uma das primeiras ações dos militares foi acabar com a estabilidade no emprego. Logo depois vieram os inúmeros atropelos aos direitos trabalhistas como a lei do arrocho salarial, lei de greve, demissões, ataque a liberdade, fim das organizações sindicais.

Quando o governo militar promulgou a Lei de Anistia no final da década de 70, reconheceu a existência de 500 mortos e desaparecidos. Destes, quase 60% eram trabalhadores.

Agir contra a impunidade

O dirigente da CUT ressaltou o protagonismo da Central na luta pela redemocratização do País e elogiou a coragem do governo Dilma em instalar uma Comissão Nacional da Verdade, mesmo que tardia  (27 anos depois do fim da ditadura).

“Queremos que o relatório final da CNV traga em suas recomendações a revisão da Lei de Anistia para que possamos julgar e punir todos os militares”, disse Solaney.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, acrescentou que a iniciativa de julgamento e punição não pode se restringir aos militares, mas deve incluir todos que colaboraram para a sustentação da ditadura. “E os empresários, que financiaram a estrutura repressiva, torturadora, assassina do golpe? A sociedade precisa saber disso, e a divulgação de tal história também é uma tarefa nossa e da Comissão Nacional da Verdade”.

O encerramento da Plenária foi espaço também para o lançamento de mais uma edição da revista “Forma & Conteúdo”. O secretário de Formação da CUT, José Celestino, o Tino, destacou a consolidação da rede nacional formativa da Central. “Essa revista, com a contribuição de diversos educadores, assessores e dirigentes, reflete esse momento”.

Plano de Lutas

Na manhã desta sexta foi apresentado também o Plano Nacional de Lutas, um conjunto de diretrizes para as ações da CUT daqui até o próximo Congresso Nacional, que acontece no ano que vem.

O Plano foi elaborado por consenso entre todas as correntes políticas que compõem a CUT, e portanto de conhecimento de todos os delegados e delegadas presentes.

Entre os destaques do Plano, o firme posicionamento da Central contra os bombardeios de Israel sobre o povo palestino e pelo fim do conflito que já dura décadas – tema que mereceu igualmente uma moção assinada por todos os presentes e que percorrerá todos os sindicatos antes de ser entregue a autoridades do Estado de Israel.

Outro tema recorrente é a necessidade de reeleger o projeto político representado pela presidenta Dilma, o que inclui governadores e parlamentares identificados com o projeto. Neste item, está decidido inclusive que a CUT e integrantes de outras centrais que defendem a reeleição de Dilma farão uma plenária de apoio no próximo dia 7, no Ginásio do Canindé, em São Paulo.

Empenho para obter uma maciça votação no Plebiscito Popular pela Reforma Política, que acontece entre os dias 1º e 7 de setembro, é outro ponto abordado pelo Plano. No próximo dia 12 de agosto, acontece o Dia Nacional de Mobilização do Plebiscito, quando haverá panfletagem e corpo-a-corpo em todas as regiões do Brasil.

Avaliação

Sobre os resultados da Plenária, Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT e coordenador da atividade, afirmou: “Conversei com todos os delegados e delegadas ao longo dessa semana e todos têm me dito que saem desses debates muito mais energizados e bem preparados para enfrentar nossos desafios. Outro aspecto importante é acompanhar as intervenções em plenário e confirmar, mais uma vez, a qualidade e o preparo de nossos dirigentes e militantes. Por isso somos, disparados, a melhor Central sindical do Brasil”.

Para o presidente Vagner Freitas, a Plenária foi uma das mais importantes da história da Central. “A unidade com os movimentos sociais confirmada por esta Plenária, nosso posicionamento frente ao período eleitoral, a reação da direita a nossas ações comprovam que somos protagonistas no enfrentamento da elite preconceituosa e antinacionalista”, disse. E lançou um desafio: “Em cada esquina onde houver um conservador ou direitista falando inverdades, haverá um ou uma militante desta Central fazendo o debate político qualificado”.

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