Notícias

‘Carnaval é momento de liberdade que se opõe ao cotidiano do trabalho’

Para o etnomusicólogo e professor da Unesp Alberto Ikeda, que defende a participação em blocos de rua como exercício de cidadania, a festa ganhou tom mercantilizado nas últimas décadas

São Paulo – O carnaval é uma festa tradicional no Brasil que começou a ganhar expressão no século 19. Para o etnomusicólogo e professor do instituto de Artes da Unesp em São Paulo Alberto Ikeda, o feriado que começa amanhã (1º) é um “momento de grande liberdade que se opõe ao cotidiano do trabalho”. Ele explica que a festa sempre se caracterizou pelo procedimento de ocupar a rua como espaço público.

“O carnaval é o espaço em que o cidadão se expressa, em que ele se encontra com seus pares, amigos e parentes, assim como seria uma praça pública.”

A comemoração surgiu no Brasil no século 18, mas nos moldes da festa de tradição portuguesa, conhecida por entrudo. A partir do século 19, pela influência da colônia italiana, o evento começou a tomar forma mais parecida com atual quando surgiram os desfiles e as máscaras.

A presença de blocos de rua também é uma das características mais marcantes do carnaval e que, segundo o professor, está sendo retomada aos poucos. Ikeda afirma que participar dos desfiles de blocos de rua é uma das formas de “exercer o direito à cidadania” e os contrapõe aos modelos de carnaval mercantilizado, que abrigam desfiles de grandes escolas de samba e festas privadas. O etnomusicólogo critica a evolução de parte da festa de carnaval “para um tipo de organização cujo fundamento é o interesse do lucro”

“A retomada dos blocos de rua é uma visão mais crítica desse carnaval que chamamos de confinado. Nele, o indivíduo é simplesmente passivo, deve comprar ingresso e pagar um custo alto de uma fantasia, que em São Paulo está em cerca de R$ 300 a R$ 600”, comenta.

Ouça aqui a entrevista completa de Alberto Ikeda à Rádio Brasil Atual.

Deixe um comentário