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Prefeitura de São Paulo irá aumentar combate a consumo de crack nas ruas da Luz

Ao encerrar segunda fase do programa De Braços Abertos, Haddad afirma que chegou a hora de deixar de considerar ‘cracolândia’ como ‘feira livre das drogas’ e admite que próxima etapa é a mais difícil

São Paulo – A prefeitura de São Paulo deu por encerrada a segunda etapa do programa De Braços Abertos, que completa dois meses de atuação nas ruas da Luz, região central, conhecidas como “cracolândia”. Esta fase chegou ao fim com a inclusão no projeto de mais 78 pessoas identificadas como residentes daquela área. A intenção agora é endurecer o combate à venda de drogas com ações de “desestímulo” ao consumo de crack na rua.

“O que nós estamos recomendando é que essas pessoas deixem de consumir a droga nas vias e logradouros públicos. Estamos fazendo umas forte recomendação para que elas não se aglomerem consumindo ali na região. Para que ela perca essa característica de feira livre que, na minha opinião, é inaceitável”, afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT) hoje (13), durante entrevista de balanço de 60 dias do programa, na sede da gestão municipal.

O De Braços Abertos começou em 15 de janeiro e prevê a oferta de assistência social, atendimento de saúde, trabalho e moradia provisória para usuários de crack que viviam em barracos montados nas ruas Helvétia e Dino Bueno.

A administração municipal realiza o monitoramento da área com câmeras de vídeo instaladas na região e um ônibus cedido pelo governo federal através do programa Crack é Possível Vencer. Essas imagens apontaram, segundo a prefeitura, que apenas “três ou quatro” participantes do De Braços Abertos ainda frequentariam o “fluxo”, nome pelo qual é conhecida a aglomeração de usuários e traficantes. Agora, a ideia é “aumentar o desestimulo” ao consumo de drogas pela população flutuante da área.

Segundo o prefeito, esse desestímulo será feito por meio do aumento do efetivo de agentes de saúde, da assistência social e da Guarda Civil Metropolitana de maneira “equilibrada”. Haddad, no entanto, evitou falar em aumento da repressão. “Não usaria essa expressão. Mas eu penso que a partir do momento que nós temos quase a totalidade dos moradores da região acolhidos, quem visita com esse fim a Luz deve ser estimulado a não mais considerar aquela região um local como foi nos últimos dez anos, um local de livre para consumo em lugar público”, afirmou.

Nessa manhã, uma dessas ações de desestímulo foi deflagrada. Equipes de fiscais da subprefeitura da Sé fecharam três bares que, além de não terem alvará, foram apontados pela Polícia Militar como ligados ao tráfico de drogas na região. A operação provocou tumulto. Um carro usado pela reportagem da emissora de rádio CBN foi atacado a chutes, e o tenente William Thomaz, responsável pela base da PM no local, foi agredido.

Haddad afirmou que é uma preocupação não perder a confiança dos beneficiários do programa, um dos fatores apontados como fundamentais para o que considera até aqui como um sucesso, e disse acreditar que essa fase é  mais difícil e demorada que as anteriores, que consistiram no convencimento para que os usuários participassem e se mantivessem no De Braços Abertos. “Esse processo tem que ser mediado. Não é uma ação repressiva, não entra a repressão no local da saúde. É um processo combinado. E nós temos que calibrar a nossa ação para esse novo momento. Mas resguardando todas as diretrizes que nos fizeram chegar aqui com sucesso”, afirmou.

Atualmente, o programa conta com 307 participantes. Inicialmente, 386 foram cadastradas, mas 158 se desvincularam do programa – algumas por terem reatado laços com suas famílias, segundo a prefeitura. O balanço também aponta que 329 pessoas iniciaram tratamento de desintoxicação.

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