9set2026 Por Cecília Figueiredo – Sindsep
Em uma vigília que começou no dia 8set, usuários(as), familiares, trabalhadores do Conselho Gestor do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adulto II Vila Prudente, com apoio do Sindsep e do SinPsi, barraram a entrada da organização social de saúde SPDM ao serviço. O ato foi realizado na porta da unidade para garantir a deliberação do Conselho Gestor do Caps Vila Prudente, que tem rejeitado a terceirização do serviço.
Um sério problema pontuado por familiares e pacientes refere-se à desestabilização emocional que a ameaça de transferência de gestão e troca de profissionais poderá provocar em quem frequenta o Caps. “Os pacientes têm vínculo aqui com a equipe do Caps. Como pode de uma hora pra outra quebrar isso? Isso pode piorar a condição deles. Como assim? Isso é uma questão de direito humano. Um paciente que está aqui há vinte anos, você tira dele esse vínculo. Essa pessoa que está chegando vai pegar o prontuário, a situação do paciente; como é que faz isso?”, refletiu a irmã de um usuário do Caps, que segurava um cartaz com a frase “Defendemos o SUS, a assistência; vínculos e não metas”. Outra usuária acrescentou: “Imagine você eles avaliarem os 300 pacientes. Como vai ficar daqui pra frente o tratamento de quem está aqui já?”

Para impedir a violência cometida pela gestão municipal contra a comunidade e os trabalhadores da SPDM, que aguardaram na porta do Caps, e o desrespeito ao que foi tratado pelo controle social, foi permitido que apenas usuários(as) e servidores, além de gestoras presentes, acessassem o serviço.

Luba Melo, vice-presidente do Sindsep, denunciou o desrespeito da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), do secretário de Saúde, Luiz Zamarco, e da supervisora técnica de saúde Vila Prudente, Cíntia, com (as)os trabalhadoras(es) do Caps e terceirizados(as) que foram levados na manhã desta terça. “Eles dizem que respeitam, mas não respeitam servidores, terceirizados, nem usuários ou familiares. Tivemos reunião na sexta-feira [4set] e o Conselho Gestor aprovou a não terceirização do Caps. A Cíntia esteve nessa reunião e passou por cima do que aprovou o Conselho Gestor. São seis anos que os servidores estão segurando as pontas do processo de sucateamento. Não vamos arredar o pé daqui”.
REIVINDICAÇÃO É ANTIGA
Em maio de 2026, o Sindsep, acompanhado de conselheiros de saúde e da então vereadora Juliana Cardoso (PT), hoje deputada federal, já havia reafirmado a reivindicação do Conselho Gestor em complementar as vagas na equipe do Caps Vila Prudente sem terceirizar.
A diretora do Sindsep, Maria Mota, chamou a atenção para que a gestão “entenda que há fluxo” num processo como esse, que envolve serviço público. “A gestão vem desrespeitando ao longo de todo o processo de discussão do Caps Adulto II Vila Prudente e o Sindsep tem denunciado. O conselho tem um posicionamento muito transparente: não à terceirização. Além de ser desconsiderado, não ser ouvido, foi desrespeitado em sua própria casa. É muito grave, falta de respeito com servidores, trabalhadores terceirizados, pacientes, familiares e controle social. Quem precisa recorrer aos serviços de saúde mental, sabe como é importante o vínculo e o tempo que isso leva”.
A vigília, que segue até a reunião extraordinária, marcada inicialmente para esta quinta-feira, 10set, para garantir o cumprimento do que foi pactuado.