Neste episódio de PodSin, a psicóloga Bruna Lopes fala sobre o impulso do jogo, e como o programa da USP, da qual é pesquisadora, ajuda as pessoas que necessitam de apoio
18set2026 Por Norian Segatto
O governo federal prepara uma Medida Provisória com novas regras para as plataformas de apostas online, as chamadas BETS, que, apenas em 2025, retiraram da economia entre R$ 120 e R$ 141 bilhões, segundo o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, da USP. Isso representa cerca de 1% do PIB brasileiro.
Outro estudo elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda apontou que a diferença entre apostas, ou seja a fezinha que o cara faz, e prêmios pagos foi de 62 bilhões de reais, isso é mais do que o lucro do banco Itaú em 2025, e significa, a grosso modo, que as famílias brasileiras deixam com essas BETS, meia Petrobrás por ano, que a maior empresa brasileira, umas das maiores do mundo.
E a questão econômico financeira é apenas um dos impactos negativos da epidemia de apostas que assola o país, seus prejuízos vão muito além. A ludopatia, que é o vício em jogos de azar, afeta a saúde mental, os relacionamentos sociais e afetivos, o trabalho e o emprego, desestrutura famílias, e até provoca suicídios.
Para falar sobre esse problema, que afeta milhares de famílias, conversamos com a psicóloga Bruna Mayara Lopes, especialista em neuropsicologia e pesquisadora do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico, do Instituto de Psiquiatria da USP. O programa oferece gratuitamente assistência às pessoas que necessitam de ajuda para controlar o vício.
Bruna fala das portas de entrada na compulsão ao jogo, que vão desde aceitação social, condições psicológicas que favorecem o impulso, pressão econômica para pagar dívidas, entre outros. O cansaço, físico e mental, também contribui para que as pessoas usem os jogos online como forma de “relaxar” das exaustivas cargas diárias.
PodSin, Diálogos da Psicologia com a Sociedade está disponível pelo canal do Youtube do Sindicato e pela plataforma Spotify.