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Mesa debate política e gênero no Congresso da FENAPSI e SinPsi faz denúncia

O Congresso Extraordinário da FENAPSI teve um sábado repleto de debates, com a formação de três mesas que se propuseram a cumprir o objetivo de discutir e definir a linha política da Federação.

A primeira mesa tratou sobre a precarização do trabalho como consequência das propostas de Terceirização e Reforma da Previdência – retiradas de direitos apresentadas pelo presidente não-eleito Michel Temer.

Walkes Vargas, do Sindicato dos Psicólogos do Mato Grosso do Sul, falou dos perfis de pessoas que estão indo às ruas protestar, desde 2013. Ele apresentou duas pesquisas distintas sobre o mesmo tema: uma encomendada pela Fundação Perseu Abramo, que ouviu opinião de pessoas da periferia de São Paulo sobre política. Outra, pesquisa do Datafolha, sobre quem estava nas ruas para mobilizações em 2015, gritando “Fora, Dilma!”

“A Folha mostrou que se tratava de pessoas que nunca tinham participado de atos nem de movimentos políticos. Portanto, só posso concluir que não são as mesmas pessoas que mobilizaram as ruas em 2013”, afirmou.

Também na mesa, Lourdes Machado, do Sindicato das Psicólogas e Psicólogos de Minas Gerais, falou sobre gênero, pontuando a relevância da participação da mulher nos espaços políticos e todo o machismo que permeia essa participação.

Lugar de fala

“Eu faço parte de um sindicato formado por 11 mulheres de um total de 16 membros. E posso dizer que o machismo está enraizado nas conversas. Cabe a nós, mulheres, buscar esse lugar de fala. Ainda mais nos tempos atuais, em que temos um presidente nos limitando à pesquisa de preços no mercado. Isso causa consequências”, explicou.

Segundo a sindicalista, é comum ver a composição de chapas com mulheres apenas por uma questão ilustrativa ou de equiparação, sem propostas de conteúdo. Não só para cargos políticos. Em entrevista exclusiva ao SinPsi, Lourdes contou que já foi convidada a fazer parte de diretoria de um clube, só porque precisavam de uma representação feminina na chapa, mas sem propostas.

“Eu neguei. Não devemos ficar na coisa ilustrativa. Precisamos questionar que espaço é esse, se haverá fala, que fala é essa e como ela contribuirá. É uma construção difícil, mas possível. Com esse propósito, inclusive, criamos há cerca de três anos o coletivo que resolvemos chamar de “a coletiva” Estamira, formada por psicólogas de Minas Gerais. É um grupo com autonomia política, formado por membros do sindicato”, contou.

Encerrando a mesa, Marinaldo Santos, presidente do Sindicato dos Psicólogos do Rio de Janeiro, fez uma breve fala sobre dois fatores de suma importância:

 

“Precisamos formar nossos profissionais de Psicologia, mas falo de uma formação mais crítica, com visão politizada de mundo e Brasil. Além disso, estamos na era da comunicação em tempo real. É mais do que necessário haver manutenção de uma rede ininterrupta de comunicação com @s psicó[email protected] Vamos informar sobre a crescente perda de direitos e desmonte de políticas públicas, que atinge a todos e todas”, ressaltou.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas sentadas e área interna

SinPsi denuncia

Quando foi aberto o debate com a plenária, Maria Helena Machado pediu a vez e denunciou as ameaças, assédios e perseguições que vem sofrendo no ambiente de trabalho da Fundação CASA. 

“Psicólogos e psicólogas do Brasil se solidarizam com nossas dificuldades e avaliam que está acontecendo um recorte de gênero na instituição. É preciso que os nossos gestores, presidência da Fundação CASA e Governo do Estado, percebam a situação, que chega à beira da crueldade e desumanização”, clamou. Saiba mais vendo o vídeo gravado por Helena para as redes sociais, clicando aqui.

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