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8M: pela vida das mulheres. Brasil bate recorde de feminicídios em 2025

3mar2025 – Por Norian Segatto

O ano de 2025 bateu o triste recorde no número de feminicídios: de janeiro e dezembro foram registrados 1507 assassinatos, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No ano anterior havia acontecido 1464 casos; São Paulo registrou 270 homicídios, aumento de 8% em relação a 2024.

A escalada de violência contra as mulheres também é verificada na capital, a cidade de São Paulo teve recorde histórico de feminicídios em 2025, com 60 mortes registradas — contra 49 em 2024, um aumento de mais de 22%.

Os debates sobre as causas e, principalmente, sobre as formas de enfrentamento ao feminicídio acontecem em várias instâncias do poder público e da sociedade, mas a realidade mostra que os casos continuam em escala crescentes. Apesar de os governos do Estado de São Paulo e da Prefeitura da Capital dizerem oficialmente que estão empenhados no combate ao feminicídio, os números mostram o contrário.

Governo de SP corta mais da metade dos recursos

A proposta de Lei Orçamentária de 2026 enviada à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado) reduziu em 54% o orçamento destinado à Secretaria de Políticas para a Mulher, passando de R$ 36,2 milhões, para R$ 16,5 milhões em 2026. Além do drástico corte no orçamento, em 2025 o governo Tarcísio de Freitas deixou de empenhar 75% da verba destinada ao combate à violência contra mulher. Foram destinados apenas R$ 2,6 milhões, de um orçamento previsto de R$ 10 milhões.

O governo do Estado, também, congelou cerca de R$ 20 milhões do orçamento aprovado para a Secretaria da Mulher. No total, levantamentos apontam que apenas cerca de 30% a 40% da verba total da pasta foi utilizada em 2025.

“Diante deste descalabro, não é de se estranhar que o estado mais rico da União possua apenas uma Casa da Mulher Brasileira, localizada na cidade de São Paulo. Vou repetir, uma única unidade para atender a todas as mulheres vítimas de violência em um Estado que possui uma população feminina estimada em 23 milhões de pessoas”, aponta a presidenta do SinPsi, Marcella Milano.   

8 de março

Contra essa situação, os movimentos sindicais e sociais vão ocupar a avenida Paulista neste domingo, 8, Dia Internacional da Mulher, com a bandeira “pela vida de todas as mulheres”. A concentração acontece a partir das 14h, no Masp (Museu de Arte de São Paulo)

Além da luta contra o feminicídio, a CUT e os movimentos populares apontam outras importantes bandeiras como o fim da escala 6×1, por mais investimentos em políticas públicas (atenção, governador, leia isso!!), por igualdade salarial, de direitos, entre outras.

“A diretoria do SinPsi estará presente com faixas e camisetas em defesa da nossa categoria, que é majoritariamente composta por mulheres, pela jornada de 30 horas, por melhor remuneração e contra os assédios moral e sexual, que infelizmente ainda são uma realidade”, afirma a diretora do Sindicato, Val de Freitas.

Mural pró-vida

Mural inaugurado no dia 1 em homenagem às vítimas do feminicídio _ Foto: Marla Galdino

Como parte das programações do 8 de março, no domingo, dia 1, o Ministério das Mulheres promoveu um ato memorial na Zona Norte de São Paulo, inaugurando um mural de 200 metros de grafite, produzido por mais de 30 artistas convidadas, em memória de Tainara e de todas as mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio no Brasil.

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, que esteve presente ao ato, “Esse é o muro da restauração, da reparação, da transformação das nossas vidas. Que cada cidade tenha coragem de pintar seus muros para dizer: chega de violência. Nós não suportamos mais nenhuma violência contra as mulheres”.

Ministras Márcia Lopes (Mulheres), Marina Silva (Meio Ambiente), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) Paulo Teixeira ( Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familia), deputadas/os e vereadoras/es marcam presença no ato _ Foto: Marla Galdino

Venha e mostre sua indignação

Se puder, compareça ao ato na Avenida Paulista, divulgue em suas redes sociais, reforce essa corrente pela vida das mulheres, por mais investimentos públicos e pelo combate ao machismo, à misoginia e ao fascismo, elementos que formam o caldo de cultura da violência em nosso país.  

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